“Não posso mais viver sem eles”, escreveu Simon Reynolds no extinto semanário britânico Melody Maker, em outubro de 1988. “Me apaixono todos os dias”, prosseguiu. Ele falava sobre o My Bloody Valentine, a quem havia assistido ao vivo uma semana antes, em Londres, onde constatou o poder sedutor de uma banda disposta a reinventar o pop a partir de uma guitarra Fender modelo Jazzmaster e um efeito de reverb executado ao contrário.
Em Turn My Head into Sound – Transforme Minha Cabeça em Som, a história de Kevin Shields e do My Bloody Valentine, Andrew Perer apresenta a biografia de uma das bandas mais inovadoras e influentes da história da música pop. Do encontro de Kevin Shields com o baterista e parceiro Colm Ó Coisóig, ainda adolescentes, às entradas de Debbie Googe e sobretudo Bilinda Butcher, fundamental para estabelecer a identidade do grupo, passando pelas gravações de discos e EPs, o livro conta em detalhes como se deu, ao longo de quase quatro décadas, a construção de uma lenda.
Shields precisou apenas de uma guitarra emprestada conectada ao reverse reverb para abrir um portal para outra dimensão do rock. Ele não inventou o shoegaze, mas fez sua síntese perfeita. O termo foi criado de forma jocosa por um jornalista inglês para classificar uma geração de bandas formadas lá no cruzamento entre os anos 1980 e 1990. Elas azucrinavam inferninhos em cidades britânicas tocando guitarras em volume ensurdecedor, encarando os próprios pés, ou os pedais que precisavam acionar. Eram essas caixinhas feitas de ferro e circuitos internos que faziam o instrumento soar como qualquer outra coisa, e não necessariamente uma guitarra.
Foi Shields quem levou a ideia ao extremo ao fazer sua guitarra sussurrar e roncar ao mesmo tempo, como uma baleia melancólica no fundo do oceano.
Da gravação do som de um aspirador de pó ainda na adolescência ao maremoto de guitarras e sons indecifráveis de Loveless, no emblemático 1991, passando pelos primeiros ensaios, a residência em ocupações (ou squats), a chegada à Creation e as tensões com seus proprietários, o contrato com a Island Records e o disco que só veio à tona 22 anos depois, Perer escavou todos os cantos dessa história que tem como figura central um músico de mente indecifrável e criatividade que não encontra rivais entre seus pares.
Título: Turn My Head Into Sound – Transforme Minha Cabeça em Som: a história de Kevin Shields e do My Bloody Valentine
Título original: Turn My Head Into Sound, a history of Kevin Shields and My Bloody Valentine
Autor: Andrew Perer
Tradução: Letícia Lopes
Capa: Vitor Bandeira (sobre fotografia de Joe Dilworth)
Editora Sapopemba
ISBN:
Ano de lançamento: 2026
Formato: 14 × 21 cm, 352 páginas